Cidades

PARCERIA PÚBLICO PRIVADA

Ovitrampas fortalecem combate à dengue no Oeste do Paraná

Parceria entre Unimed Oeste do Paraná e municípios amplia monitoramento do Aedes aegypti e direciona ações das equipes de endemias

O combate ao Aedes aegypti ganhou uma nova ferramenta de monitoramento no Oeste do Paraná. Uma experiência iniciada em Medianeira foi ampliada por meio de parceria entre o poder público e a Unimed Oeste do Paraná e hoje alcança 12 municípios das 9ª, 10ª e 20ª Regionais de Saúde. A estratégia utiliza armadilhas ovitrampas para identificar a presença e a concentração do mosquito e direcionar o trabalho dos agentes de endemias.

No último dia 19, a Unimed realizou a segunda entrega de kits às Secretarias Municipais de Saúde, garantindo a continuidade do projeto iniciado em 2025. Na primeira etapa, foram distribuídos 1.729 kits, com investimento de R$ 31.183,92. Os resultados apresentados mostram uma redução expressiva dos casos de dengue. Segundo o levantamento regional, em 2024 foram registrados mais de 15 mil casos nos 12 municípios, enquanto em 2026 foram contabilizados apenas 13, de janeiro a abril.

DE MEDIANEIRA PARA A REGIÃO – A iniciativa surgiu a partir de uma metodologia desenvolvida pela Vigilância em Saúde de Medianeira, ligada ao trabalho da coordenadora Cleide Mari da Silva. Segundo a secretária municipal de Saúde, Rosângela Fiametti Zanchett, a proposta foi desenvolvida durante o mestrado de Cleide e posteriormente apresentada ao comitê intersetorial de combate à dengue. A experiência chamou a atenção da Unimed, que passou a financiar os materiais utilizados pelos municípios. Para Rosângela, a expansão regional demonstra a importância de ações integradas. “Pela proximidade do município com o outro, isso reflete. Então, o município indo bem, a região toda vai junto”, destaca.

INFORMAÇÃO QUE DIRECIONA O TRABALHO – A ovitrampa é composta por um recipiente escuro e uma palheta de madeira onde as fêmeas do Aedes depositam seus ovos. O material coletado é analisado e permite identificar áreas com maior presença do vetor.

Em Missal, são instaladas 110 armadilhas por mês, inclusive em localidades do interior. As palhetas são trocadas a cada cinco dias e, após a coleta, analisadas pela equipe. A agente e coordenadora do setor de endemias do município, Bárbara Clara Schneider, explica que os resultados mudaram a rotina dos profissionais. “Agora a gente vai diretamente ao foco, onde vai ter possíveis criadouros”, afirma. Segundo ela, Missal chegou a quase 900 casos em 2024 e, no período apresentado no encontro, registrou zero casos.

Em Itaipulândia, o agente de endemias Flávio Ari Zimpel também destaca a eficiência proporcionada pelo monitoramento. “A gente conseguiu baixar bastante, trabalhando mais onde precisa”, avalia. Para ele, a informação também ajuda a envolver os moradores na eliminação de criadouros.

QUEDA EM TODA A REGIÃO – Os dados apresentados mostram redução dos casos em diferentes municípios. Santa Helena passou de 2.360 casos para 179 e depois para dois. São Miguel do Iguaçu caiu de 2.127 para 752 e, posteriormente, para quatro. Santa Terezinha de Itaipu passou de 1.084 para 169 e depois para um. Céu Azul, Itaipulândia, Missal, Ramilândia e Serranópolis do Iguaçu registraram zero casos no período analisado.

Importante destacar que a redução dos casos não significa que o mosquito tenha desaparecido. O vetor permanece presente no território, mantendo o risco de novos surtos. Por isso, a recomendação é manter o uso das ovitrampas, direcionar as ações para as áreas com maior infestação, fortalecer a educação da população e integrar os dados entomológicos e epidemiológicos.

A experiência mostra, assim, uma mudança na estratégia de combate: usar os dados para identificar onde o mosquito está e agir antes que a presença do vetor se transforme em novos casos de dengue.

Para o presidente e diretor de Saúde da Unimed Oeste do Paraná, Dr. Marco Aurelio Farinazzo, o projeto também demonstra como a união entre poder público e iniciativa privada pode acelerar respostas na área da saúde.

A cooperativa médica foi responsável pelo financiamento dos materiais destinados aos municípios. Segundo ele, embora o custo dos kits não seja elevado, os processos de aquisição pelo poder público podem demandar mais tempo. “Como é uma entidade privada, conseguimos ser mais ágeis. Então, compramos os kits e fornecemos para as secretarias de cada município”, explica.

O apoio permitiu que os municípios tivessem os insumos necessários para manter a metodologia em funcionamento. Segundo Marco, alguns municípios já utilizavam ovitrampas anteriormente, mas nem todos conseguiam manter o trabalho de maneira efetiva devido à falta de materiais. “Agora todos têm material. Então, não está faltando nenhum tipo de insumo”, destaca. Para ele, os resultados observados justificam a continuidade da parceria.

Para o presidente e diretor de Saúde da Unimed Oeste do Paraná, Dr. Marco Aurelio Farinazzo, o projeto demonstra como a união entre poder público e iniciativa privada pode acelerar respostas na área da saúde
Para o presidente e diretor de Saúde da Unimed Oeste do Paraná, Dr. Marco Aurelio Farinazzo, o projeto demonstra como a união entre poder público e iniciativa privada pode acelerar respostas na área da saúde
Todos os municípios receberam seus kits, que serão implantados de forma estratégica

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