Especial

FUTURO

O próximo salto da indústria de Medianeira

Regularização fundiária pode destravar, por ano, até R$ 15 milhões, gerar 500 empregos e consolidar uma nova fase do desenvolvimento industrial no município

Medianeira construiu, ao longo das últimas décadas, uma reputação sólida como um dos principais polos industriais do Oeste do Paraná. O que começou com uma política visionária de incentivo à industrialização, ainda nos anos 1980, transformou-se em um ecossistema econômico robusto, capaz de gerar milhares de empregos, exportar para mais de 150 países e posicionar empresas locais entre referências nacionais e internacionais.
Agora, o município entra em uma nova fase de seu desenvolvimento econômico: a transição de um modelo baseado apenas na ocupação industrial para uma política voltada à consolidação patrimonial, inovação, competitividade e ganho de escala produtiva.
Um estudo jurídico e socioeconômico realizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico revela que a regularização fundiária da área industrial consolidada pode representar o maior impulso econômico para Medianeira desde a criação de seu parque industrial. “O município construiu uma base industrial muito sólida, mas agora entramos em uma etapa mais madura. O desafio hoje não é apenas atrair empresas, é oferecer um ambiente seguro para inovação, tecnologia e expansão estruturada. A consolidação de Medianeira como um território de inovação aliado à regularização é justamente o elo que faltava para essa nova fase”, destaca o vice-prefeito de Medianeira, Evandro Mees.
Os números impressionam: a projeção aponta para até R$ 15 milhões adicionais em faturamento anual, mais de 500 novos empregos diretos e 10 mil metros quadrados em novas ampliações industriais nos próximos cinco anos. “Esses números mostram que investir em segurança jurídica é investir diretamente no crescimento de Medianeira. Estamos falando de mais empregos, mais renda circulando no comércio, mais arrecadação e mais oportunidades para as famílias medianeirenses. É um movimento que fortalece as empresas, mas principalmente fortalece o futuro da cidade”, destaca o prefeito de Medianeira, Antonio França.
DA VISÃO PIONEIRA À MATURIDADE INDUSTRIAL – Desde a implantação da primeira Área Industrial, na gestão do prefeito Luiz Bonatto, na década de 1980, Medianeira adotou uma estratégia clara: usar o patrimônio público como ferramenta para atrair empreendedores, incentivar pequenas indústrias e gerar empregos. O modelo funcionou.
Hoje, o município contabiliza: 8.408 empresas ativas; 26,8 mil trabalhadores com carteira assinada; mais de 1.200 produtos exportados e presença comercial em mais de 150 países.
Grandes marcas como Lar, Frimesa, Friella, Frivatti, Ninfa, Dabol e CGS ajudaram a consolidar essa trajetória e projetar Medianeira para além das fronteiras regionais.
Com o novo Plano Diretor de 2022, a cidade ampliou ainda mais sua vocação industrial, incorporando toda a extensão da BR-277 como setor estratégico para expansão produtiva. O eixo industrial ao longo da rodovia fortalece o posicionamento logístico do município e amplia sua capacidade de atração de investimentos, integração regional e competitividade no cenário estadual.
Mas, segundo o estudo, um obstáculo silencioso passou a limitar o crescimento de dezenas de empresas: a ausência da propriedade definitiva dos terrenos onde estão instaladas, gerando grande insegurança jurídica.
O diagnóstico mostra que Medianeira vive hoje um momento de maturidade industrial. Se nas décadas passadas o desafio era atrair empresas e ocupar áreas produtivas, agora o foco passa a ser consolidar ativos, ampliar escala e preparar o parque industrial para uma economia mais tecnológica e integrada.
O CUSTO ECONÔMICO DA INSEGURANÇA JURÍDICA – Atualmente, muitas empresas da área industrial operam em terrenos concedidos pelo município sob regime de cessão ou concessão de uso, renováveis periodicamente.
Na prática, isso significa que o empresário investe, amplia estruturas, gera empregos e movimenta a economia, mas sem possuir oficialmente o imóvel onde construiu sua operação. Esse detalhe jurídico produz consequências diretas no desenvolvimento econômico das empresas.
Sem escritura definitiva, muitos empreendimentos enfrentam dificuldades para oferecer garantias reais a bancos, acessar linhas de crédito mais robustas, investir em expansão de longo prazo, planejar sucessão empresarial e captar recursos para inovação tecnológica.
Na prática, o terreno deixa de funcionar como um ativo econômico. Sem matrícula definitiva, empresários ficam limitados no acesso a financiamentos de longo prazo, programas de modernização industrial e linhas de crédito voltadas à automação e ganho de produtividade.
Segundo o levantamento, 31 das 42 empresas analisadas ainda operam nesse regime considerado precário. E isso impacta diretamente sua capacidade de crescimento.
A PROVA ESTÁ NOS NÚMEROS – O censo socioeconômico comparou dois grupos: empresas com propriedade definitiva e empresas sem regularização plena.
O resultado revelou uma diferença expressiva de desempenho econômico. Empresas com escritura definitiva apresentam, em média:

  • 67% mais faturamento — enquanto empresas não regularizadas faturam cerca de R$ 181 mil por ano, as regularizadas chegam a R$ 302 mil anuais;
  • 39% mais empregos — a média de trabalhadores sobe de 26,7 para 37 funcionários por empresa;
  • 290% mais capacidade de expansão — empresas definitivas realizam ampliações muito maiores: 833 m², contra 214 m² das demais.
    O estudo define esse fenômeno como “o efeito elástico da escritura”. Sem segurança jurídica, empresários investem para manter a operação funcionando. Com a escritura, investem para crescer e desenvolver.
    A análise também mostra que a propriedade definitiva funciona como um multiplicador de eficiência econômica. Empresas regularizadas conseguem transformar patrimônio em acesso a crédito, modernização industrial, ampliação de escala e aumento de produtividade.
    QUANDO INVESTIR NÃO SIGNIFICA AVANÇAR – Um dado chama atenção: empresas sem propriedade definitiva investiram, nos últimos cinco anos, 77% mais recursos totais do que as empresas já regularizadas.
    À primeira vista, isso poderia indicar maior dinamismo. Mas a leitura é justamente oposta.
    Segundo o estudo, grande parte desses investimentos acaba sendo consumida em adaptações paliativas, reformas de manutenção e adequações operacionais — uma espécie de “custo da precariedade”. Ou seja: gasta-se muito para continuar no mesmo lugar.
    Já as empresas com escritura conseguem direcionar capital para inovação, automação, expansão física e ganho de escala.
    A regularização também é vista como pré-requisito para inserir parte da indústria local em uma nova etapa tecnológica. Linhas de crédito voltadas à automação, inovação e modernização industrial normalmente exigem garantias patrimoniais formais — algo que muitas empresas ainda não conseguem apresentar.
    SEGURANÇA JURÍDICA COMO MOTOR DE CRESCIMENTO – A proposta em estudo pela Prefeitura prevê a alienação direta dos imóveis para empresas que já cumpriram suas obrigações contratuais por mais de dez anos.
    A medida encontra respaldo na Constituição Federal, pela função social da propriedade, na Lei Orgânica do Município, no Plano Diretor de 2022 e também na nova estrutura da Lei Municipal de Inovação, em aprovação na Câmara de Vereadores.
    Além de garantir segurança jurídica, a regularização permitiria conectar essas empresas a políticas públicas mais modernas de incentivo industrial, especialmente nas áreas de inovação, tecnologia e acesso a crédito.
    Segundo a análise técnica, o município recuperaria rapidamente qualquer valor simbólico atribuído aos terrenos por meio do aumento da arrecadação de ISS e ICMS, impulsionado pela expansão econômica das empresas regularizadas.
    O EFEITO MULTIPLICADOR NA ECONOMIA LOCAL – Os benefícios da regularização vão além dos empresários. Mais produção significa mais empregos, maior circulação de renda no comércio local, fortalecimento da cadeia de serviços, aumento da arrecadação municipal e atração de novos investidores. A projeção é de crescimento entre 2% e 3% no PIB local em apenas cinco anos.
    Na prática, Medianeira começa a migrar de uma política baseada apenas na cessão de áreas para um modelo de desenvolvimento industrial estruturado, focado em segurança jurídica, ganho de escala, inovação tecnológica e aumento de produtividade.
    A expectativa é que esse novo ambiente econômico fortaleça setores de maior valor agregado e prepare o município para uma indústria mais conectada às demandas de competitividade e tecnologia dos próximos anos.
    O CUSTO DE NÃO AGIR – O estudo é enfático: manter o atual modelo representa um “teto de vidro” para a economia local. A cidade já possui infraestrutura, localização estratégica, força cooperativista, mão de obra e tradição empresarial. O que falta agora é remover o entrave jurídico que impede parte significativa do parque industrial de alcançar sua plena capacidade produtiva.
    Cada empresa sem escritura representa investimentos adiados, empregos que deixam de ser criados e riqueza que deixa de circular na economia local.
    O custo da inação, segundo o estudo, pode significar a perda de competitividade regional em um momento em que cidades e regiões disputam investimentos cada vez mais vinculados à inovação, logística e capacidade produtiva.
    O INÍCIO DE UM NOVO CICLO INDUSTRIAL – Medianeira construiu sua identidade econômica sobre planejamento, cooperativismo, empreendedorismo e capacidade produtiva.
    Se no passado o desafio era criar áreas industriais e atrair empresas, agora o município parece entrar em uma nova etapa: a consolidação de um parque industrial expandido, mais moderno, tecnológico e competitivo.
    Para o empresário Wilson Altíssimo, sócio proprietário das Empresas DW Elevadores, Tecnipool e Lasermed, a regularização das áreas industriais em comodato para propriedade definitiva é um tema muito importante para o desenvolvimento econômico de nossa cidade. “Como empresário, vejo essa iniciativa de forma positiva, desde que ela seja conduzida com responsabilidade, critérios claros e compromisso com o crescimento coletivo de Medianeira. Quando uma empresa possui segurança jurídica sobre o imóvel onde está instalada, ela ganha mais confiança para investir, ampliar sua estrutura, gerar empregos e trazer novas tecnologias. Muitas vezes, grandes investimentos deixam de acontecer justamente pela insegurança sobre a posse definitiva da área”, salienta.
    Wilson também defende que a propriedade definitiva seja destinada às empresas que realmente contribuem com o município, gerando empregos, movimentando a economia e cumprindo suas obrigações. Para ele, o processo pode fortalecer o parque industrial local e incentivar a expansão das empresas em Medianeira, evitando que busquem crescimento em outros municípios. “A parceria entre poder público e iniciativa privada é fundamental para promover desenvolvimento, segurança para investir e crescimento sustentável da cidade”, finaliza Wilson.

Comentários