Especial

IDEB 2025

Quando a conquista vira compromisso

Na terceira e última reportagem da série, o olhar se volta para o futuro da rede municipal: como transformar um bom resultado em uma trajetória permanente de qualidade, reduzir desigualdades e fazer com que cada vez mais estudantes tenham condições de aprender

Uma conquista pode ser celebrada. Mas uma política pública precisa ser sustentada. É por isso que, depois de alcançar 7,5 no IDEB 2025, o principal desafio da rede municipal de ensino de Medianeira talvez não esteja simplesmente em repetir o resultado na próxima avaliação. Está em transformar o avanço em uma trajetória consistente, capaz de atravessar diferentes anos, escolas e gerações de estudantes.

Para a secretária municipal de Educação e Cultura, Rosiane Tonelli, o resultado precisa ser compreendido como parte de um processo mais amplo. “Nosso principal desafio agora é transformar o 7,5 em um novo ponto de partida”, afirma.

A declaração traduz uma questão que vai além do indicador: como fazer com que aquilo que deu resultado deixe de ser apenas uma experiência positiva e passe a fazer parte de uma cultura permanente de qualidade?

UMA REDE, DIFERENTES REALIDADES – Uma rede municipal não é formada apenas por uma média. É composta por escolas, professores, equipes pedagógicas, famílias e milhares de estudantes, cada um com sua própria realidade.

Medianeira atende aproximadamente 6.500 estudantes. São crianças com diferentes ritmos de aprendizagem, histórias, necessidades educacionais e contextos familiares e sociais. Por isso, alcançar 7,5 não significa que todos aprenderam da mesma maneira ou que todos os desafios foram superados. A própria Secretaria reconhece a existência de diferenças entre as escolas e entende que os dados precisam ser utilizados para identificar onde estão os avanços e onde é necessário concentrar esforços.

Segundo ela, nenhuma escola ficou abaixo da média municipal anterior, de 7,1. O dado representa um avanço importante, mas também reforça uma questão que passa a ser central para os próximos anos: como fazer com que uma boa média se transforme em aprendizagem cada vez mais distribuída?

A resposta passa pelo princípio da equidade. “Também precisamos avançar nesse sentido: não basta aumentar a média municipal; precisamos reduzir as diferenças e garantir que todas as crianças tenham oportunidades reais de aprendizagem”, afirma Rosiane.

Uma das estratégias que apontam para o futuro é a ampliação gradual da Educação em Tempo Integral. Em 2026, dez escolas já possuem turmas de 1º ano em período integral, com prioridade para alfabetização e atividades complementares, como robótica, língua inglesa, musicalização e psicomotricidade
Uma das estratégias que apontam para o futuro é a ampliação gradual da Educação em Tempo Integral. Em 2026, dez escolas já possuem turmas de 1º ano em período integral, com prioridade para alfabetização e atividades complementares, como robótica, língua inglesa, musicalização e psicomotricidade


INVESTIR PARA GARANTIR CONDIÇÕES – Sustentar uma política educacional também exige recursos. Em 2025, o município teve uma dotação atualizada de aproximadamente R$ 105,5 milhões para despesas gerais com educação, dos quais mais de R$ 95 milhões foram empenhados. Os investimentos alcançam diferentes dimensões da rede: manutenção, alimentação escolar, transporte, materiais, tecnologia, valorização profissional, infraestrutura e ampliação do atendimento.

Nos últimos anos, obras também modificaram espaços escolares. A Escola Grizelde Romig Fischborn recebeu mais de R$ 2,3 milhões em ampliação e modernização. O novo CMEI Pequeno Príncipe representa investimento de aproximadamente R$ 5 milhões. A Escola Carlos Lacerda passa por uma obra superior a R$ 7 milhões, enquanto novos CMEIs estão em implantação nos bairros Nazaré e Belo Horizonte.

A rede também adquiriu seis salas de aula modulares para as escolas Fernando Pessoa, João Paulo II e Carlos Lacerda, em um investimento de R$ 1.398.900.
Mas a própria Secretaria de Educação faz uma ressalva importante: não é possível atribuir a evolução do IDEB a um investimento específico. Educação não funciona como uma equação simples. Infraestrutura, recursos pedagógicos e tecnologia criam condições. Formação prepara profissionais. Gestão organiza processos. Mas é o trabalho cotidiano das pessoas que transforma tudo isso em aprendizagem.

MAIS TEMPO, MAIS POSSIBILIDADES – Uma das estratégias que apontam para o futuro é a ampliação gradual da Educação em Tempo Integral. Em 2026, dez escolas já possuem turmas de 1º ano em período integral, com prioridade para alfabetização e atividades complementares, como robótica, língua inglesa, musicalização e psicomotricidade. A rotina inclui ainda quatro refeições diárias, com cardápios acompanhados por nutricionistas da Secretaria.

Ampliar o tempo de permanência na escola, porém, não significa apenas aumentar horas. “Possibilita intensificar as aprendizagens, desenvolver habilidades diversas e oferecer novas experiências pedagógicas que complementam o trabalho realizado no período regular”, reforça Rosiane Tonelli.

A RESPONSABILIDADE DE NÃO DEIXAR NINGUÉM PARA TRÁS – Há ainda uma dimensão que não aparece integralmente em uma média: a permanência e o vínculo do estudante com a escola. A frequência é condição básica para que o processo pedagógico aconteça. Por isso, a rede vem fortalecendo o acompanhamento da presença e as ações de busca ativa.

O Faltômetro é uma dessas iniciativas. Os índices de frequência das turmas são acompanhados e divulgados nas escolas, e aquelas que alcançam resultados satisfatórios recebem pequenas bonificações como forma de reconhecimento. “A iniciativa tem apresentado resultados positivos na conscientização dos estudantes e na melhoria da presença escolar, tornando a frequência um compromisso coletivo entre alunos, famílias e escola. Mais do que acompanhar números, queremos construir uma cultura em que estar na escola todos os dias seja compreendido como parte fundamental do direito de aprender”, afirma a secretária de Educação.

A família participa desse processo. Em 2025, a Secretaria realizou uma palestra em cada escola da rede, abordando temas como acompanhamento da vida escolar, frequência, rotina de estudos e estímulo à leitura. A mensagem é de corresponsabilidade: a escola tem seu papel, a família tem o seu e a rede pública precisa criar as condições para que essa parceria aconteça.

DEPOIS DO 7,5 – O IDEB de 7,5 representa uma conquista, mas também inaugura um novo compromisso para a rede municipal de ensino. Entre uma avaliação e outra, desafios como recomposição das aprendizagens, inclusão, expansão do atendimento e necessidade de profissionais exigirão planejamento e continuidade das ações.

Para a secretária Rosiane Tonelli, “nossa meta não é simplesmente alcançar uma determinada nota. Nossa meta é fazer com que mais crianças aprendam, que aprendam melhor e que nenhuma fique para trás”.

Nesse sentido, o IDEB deve ser compreendido como consequência de um processo mais amplo, que envolve não apenas conhecimentos acadêmicos, mas também convivência, cidadania, autonomia e respeito às diferenças. Se o índice é uma fotografia de determinado momento, a aprendizagem continua sendo construída todos os dias, e o verdadeiro desafio, depois do 7,5, é transformar a conquista em compromisso permanente com uma educação de qualidade para todos.

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