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Nosso Povo

JORNADA DE 50 ANOS

Em 16 de agosto de 2016, o comando do Jornal Mensageiro mudou de mãos. Depois de 42 anos de uma linda trajetória a frente do semanário, Mirtis Maria Valério saiu de cena para dar lugar aos sobrinhos Ana Cláudia Valério e Julio Cezar Valério. Na primeira edição sob nova direção, a fundadora do Mensageiro foi homenageada na estreia da Coluna Nosso Povo. Em comemoração aos 50 anos, reeditamos aquela entrevista, para marcar a importância de Mirtis para o Jornal e para comunicação, na sua jornada das Letras.

Em uma conversa rápida, às vésperas do fechamento desta edição entrevistei a primeira personagem da coluna Nosso Povo. De fácil comunicação, relatou em menos de 30 minutos sua trajetória e já na primeira pergunta (data de nascimento), questionou: “será que precisa?”. Respondi: “É importante para que as pessoas percebam quantos anos foram dedicados ao que chamo aqui de Jornada das Letras”.
E foi no Rio Grande do Sul, em 21 de outubro de 1945, que Mirtis Maria Valério nasceu. Sua Jornada com as letras começou por influência de sua avó Rosa Valério, professora, com quem morou dos três aos nove anos; e de seu pai Tranquilo Valério. “Ele era uma pessoa inspiradora, apesar de ser apenas alfabetizado entendia de todos os tipos de assunto”, destacou Mirtis orgulhosa.
Foi por intermédio do pai que ela ganhou bolsa no governo de Leonel Brizola e cursou o Normal Rural e o Normal 2º grau. Em 1972 formou-se em Letras. “Atuei desde a alfabetização até a Universidade”, relatou.
A ampliação da jornada começou a acontecer quando seus pais, Tranquilo e Leothilde, mudaram-se para Medianeira. No final de 1973, de passeio, surgiu a ideia de fundar um jornal. “Meu primo Edemar Bolsi conversou comigo sobre o novo empreendimento. Na época eu tinha dois padrões no Rio Grande do Sul e cursava Jornalismo na Unisinos. Também participava do Projeto Rondon Nacional, às margens do Rio São Francisco”, conta Mirtis.
Decidida a vir, a jovem professora mandou um bilhetinho para o pai pedindo se ele conseguiria algumas aulas no Colégio Mondrone. De mala, cuia, vontade e muita capacidade profissional, Mirtis chegou a Medianeira em 22 de fevereiro de 1974. Três meses depois (17 de maio) nascia o Jornal Mensageiro. Neste momento da entrevista ao ser questionada sobre aquela ocasião, a emoção tomou conta, mas rapidamente ela se recuperou e com os olhos marejados continuou: “Começamos de forma bem prática, fizemos um memorando comunicando o porque do trabalho e que a permanência do jornal dependeria do apoio de todos. E a adesão foi imediata, tanto que continua até hoje”.
Nesses 42 anos, a jornalista – concluiu a graduação em 2003 – ressalta o fechamento da Estrada do Colono como o momento mais marcante de sua vida profissional. “Foi um corte umbilical com as origens da cidade, com repercussão altamente negativa”.
E a última pergunta, que não podia faltar: Por que passar o bastão do Mensageiro? Rapidamente, sem titubear, Mirtis respondeu: “O que era para fazer eu já fiz. O jornal precisa abrir novas perspectivas, com sangue novo, inovação e uma nova direção com profissionalismo”. No mesmo embalo emendou: “quero resgatar um sonho adormecido”. Para quem pensava que ela iria tirar umas férias, viajar, engana-se. Mirtis pretende retomar a revista Mosaicos, que na época teve 32 edições. “Era um retalho de aspectos históricos e nasceu porque não existia nenhum material de consulta. Agora ela terá uma característica mais contemporânea, com um perfil turístico, de eventos e cultural. Estou aberta para este trabalho”, finaliza. Isso quer dizer que a Jornada das Letras continua.

Momento em que Mirtis entrega a primeira edição do Mensageiro ao colonizador Pedro Soccol

Nosso Povo

Por: Ana Cláudia Valério

Mestre em Educação, Especialista em Docência no Ensino Superior e graduada em Comunicação Social – Jornalismo. Tem experiência em Jornalismo nas áreas de Televisão, Assessoria de Comunicação e Jornal Impresso, tendo trabalhado em veículos de comunicação, instituições de ensino superior e campanhas políticas. Hoje é editora do Jornal Mensageiro e coordenadora de Gestão e Memória da Casa da Memória Roberto Antonio Marin, de Medianeira.

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