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Tradicionalismo gaúcho de pais para filhos

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Letícia e sua coleção de sete cuias de Mate de Comadre

O Dia do Gaúcho é comemorado hoje (quinta-feira 20), como forma de relembrar um dos episódios históricos mais importantes para a comunidade gaúcha: a Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, que teve início em 20 de setembro de 1835 e durou cerca de 10 anos. A data está incluída na Semana Farroupilha, que ocorre anualmente entre 13 e 20 de setembro, principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e em outras cidades pelo Brasil onde há Centro de Tradições Gaúchas (CTG).  As comemorações envolvem festas, ressaltando os costumes típicos do povo, como a culinária, vestimenta, danças e apresentações musicais.

E simbolizando essa data importante para a cultura gaúcha, a Coluna Nosso Povo desta semana conversou com a medianeirense e participante assídua do CTG Sentinela dos Pampas, Letícia Ristof. Filha de Eliane Oliari e Alcione José, irmã de Bruno e Guilherme, o apreço pelo tradicionalismo vem de seus avós que são de família gaúcha e aumentou aos poucos, a partir do momento em que começaram a frequentar o Centro de Tradições em Medianeira. “Meu pai sempre gostou de estudar a história, a cultura do Rio Grande do Sul e repassou seu conhecimento para mim. A partir disso, fui incentivada a participar das Invernadas Artísticas, concursos de Prenda, muitas viagens para fora do Estado para representar a Casa, frequentar os bailes e demais eventos organizados. E também, meu pai foi Patrão por dois anos entre 2013 e 2015; o que acabou contribuindo para esse contato maior com a cultura”, contou Letícia.

Durante a visita ao museu pessoal de seu pai Alcione, encontramos diversos objetos que remetem ao Rio Grande do Sul. Mas um em especial que chamou a atenção foi a pequena coleção de sete cuias de Mate de Comadre, compradas em antiquários de Porto Alegre. Letícia teve contato pela primeira vez durante uma palestra da Marina Paixão Côrtes, esposa do historiador João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes (in memorium). “Ela falou dessas relíquias no Estado e acabei me interessando por essas peças de porcelana, bem diferentes do chimarrão que tomamos nas cuias. As mais singelas eram estreitas e possuíam uma alça, lembrando uma xícara pequena. As mais requintadas apresentavam um pé torneado e adornos em alto relevo, como flores, anjos e bordas douradas. Em algumas delas há inscrições como amizade, saúde, amor, felicidade. E para essas cuias, as bombas são relativamente pequenas, feitas em ouro, prata ou bronze; com discretos anéis ou torneadas”, descreveu.

Ainda sobre o mate, ela comentou a receita simples e em quais ocasiões era tomado. “Mesmo considerado subversivo ao chimarrão amargo dos homens, o mate das mulheres era adoçado com açúcar ou mel, perfumado com canela ou ervas, e ainda acrescido de leite. Nem mesmo a tradição do porongo era respeitada, pois a cuia era substituída por canecas de louça. As mulheres se reuniam no meio da tarde, quando as crianças estavam na escola ou brincando e seus maridos trabalhando. Juntavam-se para conversar, fazer trabalhos manuais e trocar receitas; sempre acompanhadas de bolos e doces caseiros”, contou.

E uma dessas cuias tem um valor sentimental da pequena coleção: a cuia feita de vidro que pertencia à sua avó paterna Eva Vami Meurer Ristof. “Quando soube que ela era adepta do mate de comadre, fui motivada a pesquisar mais sobre o assunto e essa lembrança da minha avó guardo com muito carinho. Porém, sem a ajuda do meu pai, seria impossível ter essa pequena coleção; pois é cada vez mais difícil encontrar essas cuias, que podem custar mais de R$ 300 nos antiquários”, pontuou Letícia.

Questionada sobre o que é a cultura gauchesca, a jovem exalta: “De certa forma podem ser comparados com os indígenas: guerreiros que lutavam pelos seus ideais, aguerridos, corajosos e repassam seus conhecimentos e tradições de geração para geração. Meu pai sempre fala que ‘se você quiser saber quem se tornará, conheça a história dos seus antepassados’. O maior exemplo para mim é a Cuia de Comadre: se eu não soubesse que minha avó tomava, jamais teria algo especial para lembrar dela e eu não teria essa pequena coleção de cuias”, encerrou. Essa entrevista para a Coluna foi realizada entre uma cuia de chimarrão e outra…

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Por: Tanner Rafael Gromowski

Formado em Letras português/espanhol pela UDC Medianeira, pós graduado em Língua Portuguesa pela FAG Cascavel, trabalha como repórter e redator desde 2013 no jornal Mensageiro.

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