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Nosso Povo

Vender, conversar e encontrar amigos

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Natural de Laranjeiras do Sul, Jaci Carvalho trabalhou como motorista pela Empresa Princesa dos Campos nos anos de 1960 por seis anos. “Fazia trajetos entre Cascavel e Foz do Iguaçu, até Pato Branco ou Guarapuava. Boa parte das estradas não eram asfaltadas, os ônibus eram antigos e era difícil ser motorista naquela época por enfrentarmos muita poeira ou muito barro. Com o tempo, asfaltaram as rodovias, as cidades cresceram e a qualidade do trabalho melhorou”, relembra o ex-motorista.

Nessas idas e vindas pelas estradas, ele fixou residência em Medianeira. “Conhecendo as cidades na região Oeste, comecei a namorar uma filha do Ismael Zornita e casamos em 1976. Depois, trabalhei oito anos na Casa Aurora, na Chico Pneus, abri um mercado no Bairro Nazaré, o qual mantive por 09 anos e trabalhei cerca de 15 anos como autônomo, fazendo serviços gerais e ajudando meu sogro na fazenda”, disse o comerciante.

Fato curioso comentado pelo comerciante é ter sido coordenador do 12º Movimento Tradicionalista Gaúcho do Paraná. “Na época, o Nilson Leonhart era coordenador e fui convidado para ser seu vice por dois anos. Posteriormente, assumi a coordenação durante seis anos, juntamente com meu vice João Alexandre Hentz. Coordenava até o CTG Índio José em Santa Rita (Paraguai), passando por Pato Bragado e Matelândia, totalizando 12 centros de tradições gaúchas. Foi um período fácil de trabalhar, pois tínhamos muito apoio dos prefeitos e secretários de Cultura: fazíamos eventos, reuniões, resolvíamos problemas da Região e participávamos de concursos. Somente no Fepart (Festival Paranaense de Arte e Tradição) que organizamos em Pato Bragado, houve a participação de 125 grupos de dança adulta; além da acolhida aos gaiteiros, trovadores, grupos mirins, juvenis e seus familiares. Foi um grande aprendizado que tive para a minha vida pessoal ao ter conhecido pessoas que trabalhavam muito pelo bem comum no tradicionalismo gaúcho”, enfatizou.

E para não ficar somente em casa, Jaci Carvalho montou uma banca pequena de comércio na Avenida Brasília e se mantém há 15 anos. “Minha esposa sempre pede para eu ficar em casa cuidando dos bens, do aluguel de um pequeno condomínio, mas gosto de ficar na rua vendendo, conversando com as pessoas e encontrar amigos durante a semana. Não é fácil aguentar calor ou frio excessivo, mas é gratificante estar com saúde perto dos 70 anos e ainda ter vontade de trabalhar. E essa parte de conversar com inquilinos e resolver outras burocracias faço durante o final de semana”, frisou.

Além disso, nas horas vagas, é exímio gaiteiro. Participa do Grupo Alegria de cantigas italianas em casamentos, bodas de ouro, festivais de música, missa crioula, missa italiana; como forma de mantermos a cultura e sermos um povo com alma.

Nosso Povo

Por: Tanner Rafael Gromowski

Formado em Letras português/espanhol pela UDC Medianeira, pós graduado em Língua Portuguesa pela FAG Cascavel, trabalha como repórter e redator desde 2013 no jornal Mensageiro.

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