Apometria: entre a pesquisa científica, a espiritualidade e a visão sistêmica
Por Oti Valério . 19 de novembro de 2025 . 16:12
A Apometria, emerge como prática terapêutica que utiliza técnicas de indução mental e organização energética para promover equilíbrio emocional e espiritual. Termo que deriva do grego apo – (além de) e metron – (medida), vem ganhando espaço em centros terapêuticos e estudos integrativos no Brasil. Embora tenha raízes no campo espiritualista, sua abordagem desperta interesse por dialogar com áreas como psicologia, neurociência e terapias sistêmicas. Fundamentada inicialmente pelo farmacêutico-bioquímico Dr. Luiz Rodrigues que a chamou de hipnometria, em 1965, ela ganhou destaque por meio do Dr. José Lacerda de Azevedo que passou a chama-la de Apometria, tendo em vista que a técnica não envolvia o sono.
Do ponto de vista científico, a Apometria é analisada principalmente pela lente dos fenômenos mentais e psicossomáticos. Suas técnicas como contagens rítmicas, visualizações, expansão de consciência e reorganização simbólica, são compreendidas como ferramentas capazes de induzir estados alterados de percepção, semelhantes aos observados em práticas meditativas profundas. Pesquisas apontam que esses estados podem ativar mecanismos de autorregulação do sistema nervoso, reduzir padrões de estresse, reorganizar memórias emocionais e favorecer a clareza mental. Embora ainda não existam evidências científicas conclusivas sobre seus aspectos espirituais, há crescente interesse em investigar seus efeitos subjetivos, especialmente nos campos da saúde integrativa e das terapias complementares.
Para Bert Hellinger, criador das Constelações Familiares, a Apometria pode ser compreendida como uma abordagem que busca acessar e organizar campos de informações que influenciam a vida das pessoas. Segundo Hellinger, questões emocionais, comportamentais e relacionais muitas vezes são movidas por dinâmicas inconscientes herdadas do sistema familiar. Nesse sentido, a Apometria dialoga com a perspectiva sistêmica ao oferecer um espaço onde memórias, vínculos e lealdades ocultas podem emergir simbolicamente, sendo observadas, ressignificadas e reintegradas com novas compreensões.
A aproximação entre o olhar científico e o sistêmico mostra que o cuidado com a saúde vai além do físico. Envolve mente, emoções, história pessoal e o ambiente em que cada pessoa vive. Por isso, a Apometria tem sido buscada como uma ferramenta complementar, que não substitui tratamentos médicos, mas contribui para o equilíbrio e o autoconhecimento.
Assim, a prática segue se expandindo como uma ponte entre saberes — unindo espiritualidade, ciência e visão sistêmica — e convidando a sociedade a refletir sobre novas maneiras de compreender o cuidado integral do ser humano.



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