Conexões sem fronteiras
Texto por Ana Cláudia Valério . Fotos por arquivo pessoal . 6 de agosto de 2026 . 13:58
Algumas pessoas acompanham as grandes transformações da história. João Alves Junior teve o privilégio e a coragem de vivê-las. Nascido e criado em Medianeira, ele saiu da cidade em 1993 para cursar Ciência da Computação na Universidade Federal do Paraná, justamente quando a internet ainda era uma promessa para a maioria dos brasileiros. A decisão de apostar em uma tecnologia praticamente desconhecida acabaria moldando uma trajetória que o levaria a participar da expansão da internet no país, atuar na transformação digital do sistema financeiro e desenvolver projetos em parceria com o Google.
Filho de João e Gizelia, João Junior guarda as raízes medianeirenses como parte essencial de sua identidade. Foi defendendo o município e o Colégio Estadual João Manoel Mondrone que aprendeu o valor da disciplina e do trabalho em equipe. Em Curitiba, onde viveu por 14 anos, encontrou muito mais do que uma formação acadêmica. “Considero Curitiba minha segunda casa”, afirma. Foi ali que construiu amizades duradouras, formou uma família ao lado da esposa Mara e viu nascer seus filhos.
Enquanto o Brasil começava a descobrir a internet comercial, em 1995, João enxergava nela um potencial muito maior do que uma nova ferramenta de comunicação. As universidades federais eram protagonistas desse ambiente pioneiro, permitindo acesso a conhecimento internacional muito antes da popularização do Google ou da Amazon. Pouco tempo depois, participou da estruturação de provedores que levaram essa nova realidade para cidades como Curitiba, Cascavel, Toledo e Criciúma, ajudando a conectar pessoas, empresas e oportunidades.
Sua carreira seguiu acompanhando as grandes revoluções tecnológicas. A migração para o mercado financeiro aconteceu no momento em que os primeiros internet bankings transformavam a relação entre bancos e clientes. Décadas depois, entre 2019 e 2022, participou de projetos desenvolvidos em parceria com o Google para acelerar a inovação em empresas altamente reguladas. Para ele, porém, nenhuma conquista acontece por acaso. “Poucas coisas na vida e na carreira são lineares, mas sempre acreditei que a excelência atrai e potencializa a excelência”.
A curiosidade também abriu portas para experiências internacionais. Nova Iorque, Inglaterra e Austrália lhe ofereceram diferentes formas de compreender o mundo. Em vez de comparações simplistas, prefere observar como cada sociedade desenvolveu suas próprias soluções. “Valorizar o que temos e o que somos” é, para ele, o maior aprendizado. O Brasil, acredita, pode incorporar planejamento, organização e visão internacional sem abrir mão da criatividade, da capacidade de improvisação e da resiliência que caracterizam seu povo.
Entre todas as lembranças, uma permanece viva como se tivesse acontecido ontem. Em 11 de setembro de 2001, João estava a apenas 300 metros da Torre Sul do World Trade Center. “Considero essa data o meu segundo nascimento”. Mais do que a explosão, ele recorda a união e a solidariedade dos nova-iorquinos diante da tragédia, uma demonstração da força humana em meio ao caos.
Ao olhar para o futuro, vê na inteligência artificial uma transformação tão profunda quanto a internet, talvez até maior. Mas faz um alerta: será preciso equilibrar a velocidade da inovação com a capacidade de verificar informações e utilizar a tecnologia de forma responsável.
Depois de viver revoluções tecnológicas, mudanças geopolíticas e experiências em diferentes continentes, João resume o maior aprendizado da própria caminhada em um conselho simples aos jovens: “Abrace o desafio e o desconforto. O que parece difícil hoje fará parte da sua forja”.




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