Crochê ganha nova era
Tendência das passarelas e do street style, o artesanal retorna com força, unindo tradição brasileira e vendas digitais
Por Oti Valério . 19 de março de 2026 . 11:11
O crochê, símbolo da moda boho nos anos 70 e 80, está oficialmente de volta ao protagonismo. Reinterpretado por grandes marcas internacionais e impulsionado por um consumidor que valoriza peças autorais e sustentáveis, o feito à mão deixou de ser nostálgico para se tornar contemporâneo.
A moda é cíclica, mas nunca retorna da mesma forma. Em 2026, o crochê aparece com modelagens mais sofisticadas, pontos abertos e rendados, transparências estratégicas, conjuntos monocromáticos e peças oversized. No outono, ganham força o marrom chocolate, o vinho fechado e o verde musgo, trazendo elegância sem perder a leveza.
O movimento acompanha uma tendência maior do mercado. O setor de moda no Brasil movimenta mais de R$ 200 bilhões por ano, segundo dados da Abit, e o segmento artesanal cresce impulsionado pelo consumo consciente e pela busca por exclusividade. O cliente atual quer identidade, não apenas tendência. Quer história, processo e significado.
O crochê deixou de ser apenas lembrança afetiva e virou peça de desejo. Hoje ele está nas passarelas internacionais, na moda praia, no casual chic e até em produções mais sofisticadas. É uma valorização do feito à mão, da originalidade e da autenticidade.
Outro fator que impulsiona o setor é a digitalização. Muitos clientes do exterior procuram o trabalho brasileiro porque encontram qualidade e personalidade que nem sempre existe lá fora.
O crochê também conversa diretamente com o momento cultural. Em um cenário de produção em massa e fast fashion, o artesanal surge como contraponto. Cada peça carrega tempo, dedicação e identidade. Quando alguém veste crochê, veste uma história. E isso não sai de moda.



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