VIABILIDADE E DESAFIOS
Batalhão da Polícia Militar em Medianeira
Seguindo a nossa série de reportagens sobre segurança pública, nessa edição entrevistamos lideranças e representantes das forças de segurança locais, que avaliaram a necessidade, os impactos e os desafios para a criação de uma unidade própria no município
Texto por Ana Cláudia Valério . Fotos por imagem gerada por IA . 19 de fevereiro de 2026 . 10:04
Nos últimos anos, autoridades locais e regionais têm defendido publicamente a criação de um novo Batalhão com sede em Medianeira, como forma de descentralizar o atendimento policial e melhorar a capacidade de resposta às demandas locais e da microrregião. Em março de 2023, foi protocolado, junto à Secretaria de Segurança Pública, um pedido acompanhado de estudo técnico que comprova a necessidade.
O assunto é pauta constante na Associação Empresarial de Medianeira (ACIME) e no Conselho de Desenvolvimento Social e Econômico de Medianeira (CODEMED). “A implantação de um Batalhão da Polícia Militar em Medianeira é uma medida estratégica e necessária para fortalecer a segurança pública na região. A presença de uma unidade própria no município permitirá um atendimento mais próximo da população, com atuação mais eficiente e maior agilidade nas respostas às ocorrências, fator determinante para prevenir delitos e coibir crimes de maior gravidade. Embora os dados oficiais apresentados pelo Comando da Polícia Militar e pela Secretaria de Estado da Segurança Pública indiquem redução nos índices de criminalidade, é inegável que a comunidade vivencia, no cotidiano, uma percepção de aumento das ocorrências, o que gera insegurança e apreensão. Essa discrepância entre os indicadores estatísticos e a sensação da população reforça a importância de medidas estruturantes”, afirma o presidente da ACIME, Ione Farias.
A presidente do CODEMED, Margarete Caovilla, destaca que uma das pautas prioritárias do Conselho é a segurança pública. “A nossa cidade e toda a região do extremo oeste merecem atenção especial nesse tema. Estamos em um eixo estratégico, vulnerável ao descaminho e ao contrabando, e isso gera insegurança para as famílias, para os empreendedores e para quem quer investir aqui. Uma terra sem segurança compromete a educação, a infraestrutura e o desenvolvimento econômico. E quando falta qualidade de vida, as pessoas vão embora. E não é isso que queremos. Queremos que Medianeira cresça, mas com qualidade, estrutura e proteção para as famílias. Por isso, a instalação do Batalhão da Polícia Militar é uma prioridade”.
Ela complementa ressaltando que a ausência de representatividade política regional impacta diretamente em decisões junto ao Governo do Estado. E no caso do Batalhão não é diferente. “Essa é uma realidade e é exatamente isso que estamos trabalhando para mudar. E não é uma expectativa distante. Vamos mudar ainda este ano. Com representatividade forte, abriremos caminho para investimentos estruturantes e grandes obras para todo o extremo oeste. O Batalhão faz falta. Precisamos não apenas de segurança real, mas também da sensação de segurança e isso hoje está fragilizado. Medianeira e nossa região merecem mais. E nós estamos trabalhando para garantir isso”, reforça.
Importante frisar que a região oeste paranaense tem desafios específicos, como crimes transfronteiriços (tráfico de armas, drogas e contrabando) e grande fluxo de veículos entre Brasil, Paraguai e Argentina, fatores que líderes locais consideram que demandam presença policial mais próxima.
Vale pontuar também que a criação de um novo batalhão depende de decisão do Governo do Estado do Paraná, que avalia prioridades, orçamento, distribuição de efetivo e infraestrutura. Mesmo com estudos favoráveis, a instalação de uma unidade normativa passa por aval político e liberação de recursos. Transformar uma companhia em um batalhão implica ampliar o efetivo policial, infraestrutura física, logística, suporte administrativo e operacional. Essa transição pode demandar anos de planejamento e investimentos. “É interessante sim do ponto de vista técnico, como um projeto de médio a longo prazo para aumentar a estrutura. Assim como falamos que terão que ser construídas mais escolas, postos de saúde, hospitais, é importante que a estrutura da segurança pública também aumente. Mas vamos supor que amanhã vire Batalhão, vai resolver o problema? Não vai. Não é só o Batalhão que resolve. Por exemplo: não adianta eu construir um hospital, eu preciso de estrutura, médicos e equipamentos. É fundamental investir em segurança, pensar em um Batalhão para estruturar a nossa região como um todo. Mas também é necessário pensar a curto prazo, contratando mais policiais, tendo mais viaturas e investindo em tecnologia”, salienta o Capitão Gois, Comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar de Medianeira.
Os delegados da Polícia Civil Denis Merino e Isadora Leão também veem de forma positiva a instalação de um Batalhão. “Serão mais policias, mais parcerias, mais celeridade, além da visualização do poder do Estado, a autoridade que imprime é muito maior”, declararam.
O governador Ratinho Junior, em entrevista durante a inauguração do Centro Estadual de Educação Profissional – CEEP Medianeira, no último dia 05, pontuou que foi iniciado o estudo para implantação do Batalhão. “Quando você muda de categoria de Companhia para Batalhão, você tem aumento de contingente e tem que ter uma estrutura para atender. Nós temos condição financeira para fazer e agora a Secretaria de Segurança está estudando os contingentes, de onde será remanejado. Acredito que nos próximos meses tenhamos condições de ampliar esse atendimento aqui para Medianeira e toda a região oeste”, assegurou.
TEMPO DE RESPOSTA POLICIAL – Não existem dados públicos oficiais detalhando o tempo médio de resposta da Polícia Militar à chamada de emergência (190) por município no Paraná. Segundo o Capitão Gois, essa questão é uma das maiores dificuldades enfrentadas. “Infelizmente nunca conseguiremos chegar na hora que o cidadão quer e precisa, mas é algo que é levado muito a sério. Os nossos sistemas são todos informatizados, justamente para isso, para que possamos fazer uma média, e até uma fiscalização interna dos policiais, para que o policial se desloque o mais rápido possível”, informa.
O Comandante explica ainda como funciona todo o processo de atendimento das ocorrências. “Muitas pessoas questionam do porquê as ligações para o 190 caírem em Foz. Foi centralizado para que o atendimento seja mais qualificado. Antes, cada cidade tinha um policial para atender as ocorrências, mas na maioria das vezes ele estava na viatura, atendendo outra ocorrência e não conseguia anotar dados, não conseguindo dar atenção para nenhuma situação. Não era funcional. Hoje tem um policial lá em Foz só com essa função de atender e cadastrar as chamadas. Assim conseguimos otimizar o efetivo também. Outro problema que entra na questão técnica, é que eu preciso de registro e gravações dessas chamadas. Antigamente o policial em cada local anotava num papelzinho, dessa forma era impossível fazer uma fiscalização do horário, se a pessoa ligou, se não ligou, se a viatura foi ou se não foi. É por que a centralizamos isso em Foz, para ter algo mais técnico e mais moderno”, esclarece Góis.
A tecnologia usada é a VoIP (Voz sobre Protocolo de Internet), que permite realizar chamadas de voz e vídeo pela internet, convertendo sinais analógicos em pacotes de dados digitais, em vez de usar linhas telefônicas tradicionais. “Mesmo assim, muitas pessoas as vezes não conseguem ligar para o 190, mas aí também entra a questão das operadoras de telefonia. Por isso incentivamos o uso dos aplicativos. O próprio Conselho de Segurança (CONSEG) está trabalhando com um projeto piloto para tentar outras formas de comunicação. E a própria Polícia tem feito algumas experiências, até com WhatsApp, com ferramentas que facilitem e deem mais opções para o cidadão se comunicar com a Polícia”, reforça o Capitão Gois.
Em termos qualitativos, caso fosse instalado um Batalhão aqui, essa comunicação seria centralizada em Medianeira. E além disso, uma sede traria: mais efetivo alocado localmente (maior número de policiais disponíveis); mais viaturas e logística própria, inclusive para operações maiores; e melhor capacidade de resposta imediata em toda a área atendida (incluindo municípios vizinhos). A expectativa é que o tempo de resposta às chamadas fosse menor em praticamente todas as áreas atendidas, porque haveria uma estrutura dedicada.
Na próxima edição, reportagem especial sobre o papel do cidadão e o Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG).



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