DEVER DE TODOS
Segurança é compromisso coletivo
A reportagem dessa semana da série especial sobre segurança pública aborda o dever do cidadão e apresenta o trabalho do Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) de Medianeira, formado por membros da comunidade, forças policiais e representantes do poder público
Texto por Ana Cláudia Valério . Fotos por imagem gerada por IA . 26 de fevereiro de 2026 . 11:39
Segurança pública não é responsabilidade exclusiva do Estado. Ela começa na rua em que moramos, na atenção ao que acontece ao nosso redor e, principalmente, na disposição de cada cidadão em participar. Em um cenário onde os desafios são cada vez mais complexos, o fortalecimento do vínculo entre comunidade e forças de segurança torna-se essencial. “Às vezes, confundimos o que é responsabilidade do Estado e o que é dever do cidadão quando o assunto é segurança pública. É evidente que o Estado exerce um papel fundamental, por meio das forças policiais e das políticas públicas. No entanto, a segurança começa muito antes da atuação oficial, ela começa com cada um de nós. A proteção da própria vida, da família e do patrimônio é, em primeiro lugar, responsabilidade do cidadão. Adotar medidas preventivas, evitar exposições desnecessárias — especialmente nas redes sociais — e agir com prudência são atitudes que fazem diferença. Muitas vezes, informações compartilhadas de forma descuidada podem ser utilizadas por pessoas mal-intencionadas para a prática de crimes”, destaca o Comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar, de Medianeira, Capitão Gois.
Segundo ele, além da prevenção individual, há também o dever da participação ativa. “O cidadão precisa denunciar, cobrar e utilizar os canais seguros disponíveis, como o 181 e os aplicativos oficiais, que garantem sigilo absoluto. Segurança pública se fortalece quando há colaboração”, complementa.
E é justamente nesse ponto que o Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) se torna essencial, um elo estratégico, um espaço de diálogo, escuta e construção coletiva de soluções. “É uma instância de participação social organizada, formada por membros da comunidade, forças policiais e representantes do poder público, que se reúnem periodicamente para debater, planejar e acompanhar ações e estratégias relacionadas à segurança pública da cidade. A atuação segue os princípios da polícia comunitária, promovendo a integração entre sociedade civil e órgãos de segurança para enfrentar problemas locais de segurança, com vistas a melhorar a qualidade de vida”, explica Glaucius Rocha, presidente do CONSEG Medianeira.
Na prática, o Conselho Comunitário de Segurança de Medianeira atua como espaço de diálogo com a Administração Municipal, Polícia Militar e Polícia Civil, buscando desenvolver parcerias, planos de ação e iniciativas concretas, como articulação para a criação do sistema de monitoramento de câmeras, projetos comunitários (“Vizinho Solidário”, “Comércio Solidário”) e reforço na comunicação de ocorrências à polícia, etc.
O presidente do CONSEG Medianeira informa ainda que as demandas que chegam ao Conselho costumam refletir as preocupações mais sentidas pela população em relação à segurança. “Entre as principais estão: prevenção de crimes e violência, com foco em furtos, roubos e situações de risco no município; melhor comunicação entre população e polícia, incentivando o uso de canais formais como App 190, Disk Denúncia, 190 ou 181, para que ocorrências sejam registradas corretamente, pois sem registro formal não há como a polícia atuar efetivamente e estrategicamente e projetos comunitários de prevenção, como vizinhança solidária, suporte ao comércio local e incentivo à participação comunitária em segurança preventiva”, completa Glaucius.
O Capitão Gois da Polícia Militar salienta que o trabalho do CONSEG de Medianeira é sério, organizado e democrático, onde autoridades e comunidade se reúnem para debater problemas, propor soluções e construir caminhos concretos. “Polícia, Ministério Público, Executivo, Legislativo e sociedade civil sentam à mesma mesa para ouvir, sugerir, criticar e agir. Porque, no fim das contas, quem quer apenas visibilidade pode recorrer à internet. Mas quem realmente deseja resolver problemas precisa participar”.
Glaucius Rocha finaliza ressaltando que o Conselho avançou muito e ao longo dos anos fortaleceu o debate sobre segurança pública. Ele também identifica alguns passos necessários para fortalecer o setor. “Com base no papel do CONSEG local e nas demandas que ele recebe, entendemos que devem incluir: ampliação de mecanismos de prevenção situacional, como monitoramento por câmeras e iluminação pública eficientes; fortalecimento do registro de ocorrências e canais de denúncia, incentivando o uso dos meios formais para que a polícia atue com dados precisos; integração mais robusta entre sociedade, polícias e administração municipal, com planos de ação contínuos, baseados em diagnósticos locais de criminalidade e vulnerabilidade e projetos educativos e preventivos comunitários, que mobilizem bairros, escolas e comércio para construir cultura de segurança e responsabilidade compartilhada”, pontua o presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Medianeira.

BATALHÃO DA POLÍCIA MILITAR EM MEDIANEIRA
Em entrevista exclusiva ao Jornal Mensageiro, o Major Eliseu Gonçalves, Comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar, com sede em Foz do Iguaçu, falou sobre as questões legais e técnicas para a implantação de um Batalhão em Medianeira
A instalação de um Batalhão da Polícia Militar (PMPR) é um ato administrativo que combina critérios técnicos e decisão do Poder Executivo. Conforme a Lei nº 22.354/2025 (Art. 57), a criação de unidades é competência privativa do Governador do Estado por meio de decreto e mediante proposta do Comandante-Geral da PMPR. “Do ponto de vista técnico, o Decreto nº 7.339/2010 (RISG) estabelece que o Estado-Maior da PMPR deve elaborar estudos prévios sobre a fixação de efetivos e Quadros Organizacionais (QOs). Portanto, os requisitos fundamentam-se no binômio oportunidade e conveniência: a Administração Pública avalia se a estrutura atual e se as condições permitem a expansão. Em suma, é um ato discricionário pautado pelo interesse da coletividade e pela estratégia de segurança pública do Estado”, esclarece o Comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar.
De acordo com o Major Gonçalves, existem algumas manifestações do poder público regional de Medianeira, que motivaram a realização de estudo de situação para a viabilidade de criação do Batalhão de Medianeira para a região oeste do Estado do Paraná. “Foram considerados aspectos objetivos de crescimento populacional, expansão territorial das áreas urbanas e necessidades específicas de aparato para a região de fronteira. Entre os anos de 2023 a 2025, houve registro de diminuição no número de ocorrências em 2024 e aumento no ano de 2025”, afirma.
Ele informa ainda que a elevação de uma Companhia para um Batalhão de Polícia Militar (BPM) resulta em transformação nos eixos operacional e administrativo, exigindo maior efetivo para o cumprimento das demandas burocráticas da unidade. “Além disso, necessariamente resulta na elevação do nível de comando, pois o comandante passa de um Capitão (Oficial Intermediário) para um Tenente-Coronel (Oficial Superior); a autonomia como Unidade Gestora, pois diferente de uma Companhia, o Batalhão possui gestão própria administrativa e financeira; a estrutura de Batalhão permite a fixação de subunidades especializadas como ROTAM, Choque e Agência Local de Inteligência; capacidade de planejamento regional para coordenação do policiamento”.
O Major destaca também que a missão da atual gestão do 14º BPM – que atende os municípios de Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu, Medianeira, São Miguel do Iguaçu, Itaipulândia, Missal e Serranópolis do Iguaçu -, está na diminuição de índices de criminalidade, fortalecendo o serviço operacional em toda área do batalhão. “Outro aspecto importante é que, atualmente, encontra-se em fase final o concurso para Soldados da PMPR, sendo inicialmente publicado o edital com 2 mil vagas, já foi divulgado o aumento para 4 mil vagas, do referido concurso, realidade que beneficiará toda a PMPR e, consequentemente, os municípios que fazem parte do 14º BPM, significando em um aumento do policiamento ostensivo preventivo, sem impactar a estrutura administrativa já existente”, finaliza.
Na próxima edição, reportagem especial sobre o Sistema de Justiça.


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