FUTURO
CODEMED promove reunião para discutir a representatividade política do extremo oeste
Texto por Ana Cláudia Valério . Fotos por Ana Cláudia Valério . 15 de janeiro de 2026 . 10:44
O extremo oeste paranaense reúne 18 municípios, uma população expressiva (593.679 habitantes), força econômica consolidada e um histórico de contribuição decisiva para o desenvolvimento do Estado. Essa força se traduz em números. A região possui um PIB de R$ 33,3 bilhões, 5% do PIB do Estado. Se fosse um município, teria o 4º maior PIB do Paraná, ficando atrás apenas de Curitiba, Araucária e São José dos Pinhais. De 2022 até 2025, estes municípios recolheram R$ 23,2 bilhões em impostos.
Somos 411.521 eleitores e mesmo com esses números expressivos, quando o assunto é representação política nas esferas estadual e federal, a região ocupa um espaço incômodo: o da ausência. Não há, hoje, deputados estaduais ou federais que tenham origem direta nesse território e que levem suas pautas com prioridade às instâncias de poder.
A constatação não é nova, mas ganhou novo fôlego quando, no final do ano passado, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Medianeira (CODEMED), recolocou o tema no centro do debate regional. E que na segunda-feira (12), teve sequência com uma reunião, na Associação Recreativa da Lar, reunindo autoridades, lideranças, empresários e imprensa regional. Entre dados, diagnósticos e projeções, duas palavras ecoaram com força e ajudaram a sintetizar o momento vivido pelo extremo oeste: ousadia e ambição. “Os números assustam, porque a dispersão de votos é muito grande. Então, nós precisamos de um movimento forte, para mostrar para a população que precisamos saber votar melhor. E nesse sentido, termos ousadia para questionar práticas antigas e confortáveis. Admitir que repetir as mesmas estratégias levará aos mesmos resultados. Exige coragem para abrir mão de interesses pessoais e ter uma ambição coletiva, ou seja, desejar mais para a região”, destacou a presidente do CODEMED, Margarete Caovilla.
O DESAFIO DA FRAGMENTAÇÃO – Um dos principais entraves para mudar esse cenário está dentro da própria região. Historicamente, os municípios do extremo oeste caminham de forma fragmentada no período eleitoral. E de forma mais pontual, os grupos políticos “abraçam” candidatos de forma particular. Isso pulveriza votos e enfraquece qualquer projeto regional mais robusto. “Sem união, a região perde força. Sem força, perde espaço. Se o voto for bem conduzido, a gente consegue eleger representantes e ter uma representatividade mais comprometida com a nossa região. O movimento está tomando forma e ganhando cada vez mais força, e isso não afasta ninguém, muito pelo contrário, por ser apartidário, a ideia é agregar ”, afirmou o prefeito licenciado de Medianeira, Antonio França.
Margarete Caovilla complementa afirmando que foi justamente esse ponto que mobilizou o debate no CODEMED: “a necessidade de construir um projeto que ultrapasse limites partidários e interesses individuais, priorizando uma visão coletiva e estratégica”, reforça.
UM VAZIO QUE CUSTA CARO – A falta de representantes próprios impacta diretamente a capacidade de articulação por recursos, a defesa de obras estruturantes, a formulação de políticas públicas alinhadas à realidade local e a presença da região nas grandes decisões que moldam o futuro do Paraná e do país.
Enquanto outras regiões conseguem eleger nomes que defendem seus interesses de forma contínua, o extremo oeste depende, muitas vezes, da boa vontade de parlamentares de fora, cujas prioridades nem sempre coincidem com as demandas locais. O resultado é uma sensação recorrente de invisibilidade e de oportunidades perdidas. “Não tenho dúvidas de que a região precisa se unir, não somente para eleger um deputado estadual ou federal, mas também para discutir e mostrar de forma bem clara os projetos estruturantes que são prioridades da nossa região”, salientou o ex-prefeito de Santa Helena, Evandro Zado. Dentre as necessidades da região, apresentadas durante a reunião estão: Segurança Pública, Saúde de Alta Complexidade, Logística e Infraestrutura, Educação e Estabilidade Energética.
O movimento, no entanto, não tem a intenção de indicar candidatos. “Nós não trabalhamos com nomes. O CODEMED trabalha com um movimento para encontrar pessoas que queiram ser candidatos pela nossa região”, ressalta a presidente do Conselho.
Nesse sentido, o empresário Edígio Valiati, da Frivatti, falou da necessidade de um candidato com bagagem política. “Temos que ter serenidade para que no momento certo possamos ter candidatos para nos representar. Investir em nomes com capacidade real de articulação, em projetos bem estruturados e em comunicação regional forte, alguém com experiência para acessar os governos estadual e federal e para encurtar caminhos”.
O diretor presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues, pontuou sobre a dedicação da atual diretoria do CODEMED e a importância de ter um objetivo claro. “Precisamos colocar a região no mapa do Estado, não apenas como geradora de emprego e renda e na arrecadação de impostos, que já somos, mas de representatividade política”.
O diretor presidente da Frimesa, Elias José Zydek, completou: “Representatividade é ferramenta de desenvolvimento. Ter alguém que conheça o território, suas potencialidades e gargalos faz diferença quando o orçamento é disputado voto a voto nos plenários. Para que as decisões que nos afetam não sejam tomadas na surdina e sem alguém ‘nosso’ que as questionem”.
UM MOVIMENTO QUE COMEÇA AGORA – O debate sobre representatividade não se encerra em uma reunião, nem se resolve em um único pleito. Ele marca, no entanto, um ponto de inflexão importante. Reconhecer o problema, nomeá-lo e discuti-lo abertamente já é um passo significativo.
O extremo oeste está diante de uma escolha: seguir aguardando que decisões venham de fora ou assumir o protagonismo de sua própria história política. Para isso, será preciso ousar mais do que antes e ambicionar mais do que nunca, não para alguns, mas para todos.
Como bem destacou a presidente do CODEMED, o caminho é desafiador, mas inevitável. “Porque desenvolvimento regional sustentável também se constrói com voz, presença e representatividade”, finaliza Margarete Caovilla.




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